quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

GARGALOS: Logística ruim atrapalha quem comercializa e exporta no Rio Grande do Norte

exportação
(Imagem: Divulgação)

As quatro empresas que exportam atum, meca e outros pescados do Rio Grande do Norte para os EUA movimentam por volta de 250 toneladas todos os meses e giram algo como US$ 24 milhões por ano.

Para colocar o produto fresco no hub de Miami e em Nova Iorque, onde há um grande mercado consumidor, o diretor comercial da Produmar, Arimar França Filho, usa invariavelmente o mesmo expediente: despacha o pescado para São Paulo em voos regulares da Latam e de lá ele segue para o destino.

Ao deixar de embarcar o pescado direto do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal, não perde dinheiro, já que existe um grande número de voos decolando todos os dias de São Paulo para os EUA, o que os torna mais baratos. Perde qualidade.

“O problema são as 24 horas a mais que demoraremos para entregar o pescado no destino, fatal para um produto fresco que, ao perder qualidade, perde também em valor”, resume o empresário.

Nos 47 anos de existência da empresa da família, Arimar não lembra de um dia sequer que não fosse difícil exportar no Rio Grande do Norte.

Ronaldo Lacerda, um dos sócios da Cabugi Foods, não exporta, mas seus problemas esbarram em dificuldades crônicas de um pequeno estado com grandes problemas logísticos.

A carne de cordeiro processada pela empresa a partir do frigorífico localizado em Lajes, na região central potiguar, é muito bem recebida pelo comércio, o que faz os dois caminhões de distribuição, que rodam em média 1.000 km por semana, gastarem uma enormidade com pneus e componentes mecânicos.

“As RNs (rodovias estaduais) são esburacadas, estreitas, perigosas porque não têm acostamento e obrigam os caminhões a andar em marcha reduzida, o que aumenta consideravelmente o gasto de combustível”, lembra o empresário.

Com uma carteira de 184 clientes, Ronaldo Lacerda calcula que, se não fossem esses entraves operacionais, poderia repassar seus produtos 20% mais baratos aos varejistas que, logo, repassariam esse desconto a seus consumidores finais.

Karla Motta, professor de Logística do Instituto Federal de Educação (IFRN), explica que a competitividade decorre da qualidade, da velocidade e do custo para que os produtos cheguem aos clientes.

“Isso acontece porque o preço final é formado basicamente pelo custo do produto em si, dos impostos e dos transportes”, acrescenta.

Um diferencial que poderia pesar positivamente na logística do RN – diz a especialista – é sua excelente localização geográfica em relação aos estados do Brasil e aos demais continentes, encurtando distâncias e custos de transportes. “Mas, infelizmente, não é o que acontece”.

Ela lamenta que “sem planejamento e investimentos em manutenção, duplicação e ampliação da malha rodoviária, a ampliação da capacidade portuária, maior oferta de voos e a reativação do transporte ferroviário para reintegrar o estado à malha nacional, continuaremos marcando passo”.

Com informações do Portal Agora RN

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