(Imagem: Divulgação)
As quatro empresas que exportam
atum, meca e outros pescados do Rio Grande do Norte para os EUA movimentam por
volta de 250 toneladas todos os meses e giram algo como US$ 24 milhões por ano.
Para colocar o produto fresco no
hub de Miami e em Nova Iorque, onde há um grande mercado consumidor, o diretor
comercial da Produmar, Arimar França Filho, usa invariavelmente o mesmo
expediente: despacha o pescado para São Paulo em voos regulares da Latam e de
lá ele segue para o destino.
Ao deixar de embarcar o pescado
direto do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de
Natal, não perde dinheiro, já que existe um grande número de voos decolando
todos os dias de São Paulo para os EUA, o que os torna mais baratos. Perde
qualidade.
“O problema são as 24 horas a
mais que demoraremos para entregar o pescado no destino, fatal para um produto
fresco que, ao perder qualidade, perde também em valor”, resume o empresário.
Nos 47 anos de existência da
empresa da família, Arimar não lembra de um dia sequer que não fosse difícil
exportar no Rio Grande do Norte.
Ronaldo Lacerda, um dos sócios da
Cabugi Foods, não exporta, mas seus problemas esbarram em dificuldades crônicas
de um pequeno estado com grandes problemas logísticos.
A carne de cordeiro processada
pela empresa a partir do frigorífico localizado em Lajes, na região central
potiguar, é muito bem recebida pelo comércio, o que faz os dois caminhões de
distribuição, que rodam em média 1.000 km por semana, gastarem uma enormidade
com pneus e componentes mecânicos.
“As RNs (rodovias estaduais) são
esburacadas, estreitas, perigosas porque não têm acostamento e obrigam os
caminhões a andar em marcha reduzida, o que aumenta consideravelmente o gasto
de combustível”, lembra o empresário.
Com uma carteira de 184 clientes,
Ronaldo Lacerda calcula que, se não fossem esses entraves operacionais, poderia
repassar seus produtos 20% mais baratos aos varejistas que, logo, repassariam
esse desconto a seus consumidores finais.
Karla Motta, professor de
Logística do Instituto Federal de Educação (IFRN), explica que a
competitividade decorre da qualidade, da velocidade e do custo para que os
produtos cheguem aos clientes.
“Isso acontece porque o preço
final é formado basicamente pelo custo do produto em si, dos impostos e dos
transportes”, acrescenta.
Um diferencial que poderia pesar
positivamente na logística do RN – diz a especialista – é sua excelente
localização geográfica em relação aos estados do Brasil e aos demais
continentes, encurtando distâncias e custos de transportes. “Mas, infelizmente,
não é o que acontece”.
Ela lamenta que “sem planejamento e
investimentos em manutenção, duplicação e ampliação da malha rodoviária, a
ampliação da capacidade portuária, maior oferta de voos e a reativação do
transporte ferroviário para reintegrar o estado à malha nacional, continuaremos
marcando passo”.
Com informações do Portal Agora RN
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